Usar ou não usar Slides na sala de aula, eis a questão.

Refletindo sobre o uso de slides em sala de aula.

No início desse semestre, deparei-me com o artigo  “Por que os alunos não aprendem com seus slides”  publicado pela Porvir.  Acompanho a Porvir desde que participei da Transformar Educação. Corri para ler o artigo, acreditando que  acharia embasamento para uma atitude que venho tendo desde que comecei a ensinar: diminuir o número de texto e slides das apresentações e aulas.

Um dos meus argumentos para não colocar um resumo do assunto nos slides é que com isso  o aluno  tende a não procurar novas fontes e a estudar (“decorar”) os slides para as avaliações (outro assunto que dá pano para manga!). Além disso, particularmente, nunca gostei de assistir aulas ou palestras em que os palestrantes apenas liam os slides e faziam pequenas intervenções. Sempre saio com a sensação de perda de tempo. Se fosse para ler os slides , preferia levá-los para ler no conforto da minha casa! Acredito que quem está assistindo uma aula ou palestra com muitas informações nos slides fica com a atenção dividida entre prestar atenção no que o palestrante fala  ou no que está escrito nos slides.

Quando decidi reformular minhas aulas e palestras , lembrei dos melhores professores que tive, suas melhores aulas e o que ainda lembro dos assuntos dados nessas aulas. O que tinham de diferente? Por que não eram aulas massantes? Muitos responderiam sem titubear: a didática! Tudo agora é a didática (tá na moda!) do professor que não é boa. Pode até ser essa a resposta. Mas por que?

Minha primeira ação foi melhorar os slides, diminuindo a quantidade de informações neles. Não queria reproduzir aulas estafantes com aqueles slides intermináveis e cheios de texto. Lembrei de grandes apresentações sem um slide sequer. Cheguei em GARR REYNOLDS, palestrante e autor do livro Presentation Zen (esse foi meu ponto de partida).  O livro apresenta de forma didática as apresentações, principalmente as que usam slide. Basicamente propõe tirar todo o supérfluo. Quanto menos enfeites e efeitos, mais bonitos ficam os slides. O objetivo final é que os seus expectadores prestem mais atenção no que você diz e consigam guardar o que você apresenta e fala. Ele ainda dá dicas de apresentar o assunto como quem conta uma história. Quanto mais pessoal parecer, mais a platéia irá se envolver e prestar atenção. Aplicando alguns dos conceitos que encontrei no livro, percebi que obtive melhores resultados. Isso me empolgou ainda mais.

 

Voltando ao artigo que falei no início, fui apresentado a um conceito chamado carga cognitiva , que consiste na “capacidade da memória do nosso cérebro em suportar e processar partes de informação” (Porvir, 2015). Ou seja, não adianta encher os slides de assuntos que pode ultrapassar o limite de memória e processamento de informação  dos alunos. Fiquei feliz! Já tinha começado a dosar a quantidade de informação intuitivamente, agora ganhei embasamento.

“Ensinar com slides de texto do PowerPoint durante uma leitura em voz alta, infelizmente, significa o mesmo que jogar muitas pedras dentro da caixa do aluno e faz com que ele retroceda. ” (Porvir)

Há várias forma de apresentar um assunto. Segundo o artigo,  a forma com que ele é apresentado também conta para aumentar ou diminuir a carga cognitiva.  Para completar,  é apresentado um estudo que comparou o resultado acadêmico de dois grupos que assistiram à aula de um professor. Com o primeiro grupo, o professor usou a voz e apresentação com texto e com o outro, apenas a voz  sem slides. Os pesquisadores concluíram que a utilização de estímulos visuais com palavras durante uma apresentação aumenta a carga cognitiva, em vez de diminuí-la, ou seja, slides e voz simultaneamente gastaram mais memória e processamento.

“Isso se deve ao chamado efeito redundante. A redundância verbal “surge da apresentação verbal e discurso na íntegra”, aumentado o risco de sobrecarregar a capacidade de memória – por isso, pode causar efeito negativo no aprendizado”.(Porvir)

Então o Efeito Redundante não traz benefícios para o aprendizado. Segundo os pesquisadores, se os estudantes submetidos à redundância verbal e escrita fechassem os olhos, aprenderiam mais. Até agora entendemos o que deixa a carga cognitiva mais pesada.

Como aliviar a carga cognitiva e facilitar o aprendizado dos meus alunos?

 “Richard Mayer, um neurocientista da Universidade de Santa Barbara e autor do livro “Multimedia Learning” (Aprendizado multimídia) oferece a seguinte receita: elimine elementos textuais de suas apresentações e passe a falar por tópicos, compartilhando imagens ou gráficos com os alunos”.

Como “uma imagem vale mais que mil palavras”, na sequência criei um exemplo didático do que discutimos aqui. Duas formas possíveis de slides para falar do Padrão de Projeto Adapter. Um formato comum usado em apresentações, principalmente em aulas,  com bastante texto e tópicos (Slide 1). É possível que o palestrante ou professor consulte ou leia as informações contidas nele provocando o efeito redundante e aumentando a carga cognitiva.

Slide 1 - Potencial efeito redundante

Slide 1 – Potencial efeito redundante

A outra versão (Slide 2) aplicando as dicas apresentadas por Reynolds e Mayer temos apenas o titulo do Padrão de Projeto e uma imagem associada ao assunto. Nesse caso o adaptador é um exemplo clássico usado para apresentar esse padrão de projeto. Nessa versão o aluno não precisa dividir sua atenção entre o palestrante e os slides. Fica claro que terá que focar sua atenção no professor ou palestrante. Apenas os slide não servirão como  única fonte de estudo. O aluno deve fazer suas próprias notas de aula dando sua interpretação ao assunto. Para esse formato o professor ou palestrante deve estar preparado pois não vai contar com o slide como muleta. Não terá como ler e pincelar releituras do que esta escrito.

Slide 2 - Menos é mais

Slide 2 – Menos é mais

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